Centro Cultural, Seu Próprio
Professor no Centro
Encontros mediados
Edital - Mediação em arte

Eixo curatorial da Ação Cultural e Educativa do CCSP

Institucional - Apresentação

Arte-Cidade-Cultura

O Centro Cultural São Paulo inspira a sensação de passagem, pela disposição de sua estrutura arquitetônica, onde o dentro se imbrica com o fora, onde o espaço é cortado por uma rua interna. Também imprime a fluidez de uma praça com caminhos e pontos de encontro, movimentos e paradas. Sua estrutura, vazada e transparente, não limita a passagem de som e luz, que escorrem dentro e fora, sem controle, provocando-nos para o convívio. A sensação de passagem se dá ainda na lembrança, no tempo: o início de uma carreira artística, um show a que assistiu quando jovem, o espaço em que estudou para o vestibular...

Passagem na vida ou no dia a dia, o CCSP ocupa um lugar significativo e central na cidade de São Paulo. Também é conhecido há quase 30 anos como um espaço público eclético, democrático, de fácil acesso e acessível, apesar de construído ainda no período final da ditadura, antecipa novos tempos seja pela sua arquitetura, seja pela sua programação. A acessibilidade é uma de suas diretrizes, liderada pelo Programa Livre Acesso que "não só investe na infraestrutura como também tem um propósito poético, de ampliação e potencialização da sensibilidade, da percepção e do conhecimento". O acesso neste sentido vale para todos por meio da plataforma virtual que disponibiliza conteúdos digitais de seu acervo e programação, funcionais para públicos de outros estados e países. A facilidade se dá também no transporte e na localização, com a estação de Metrô Vergueiro "quase dentro" e a proximidade com a Av. Paulista, assim como pela política de promover atividades artísticas e culturais franqueadas ou a preços populares.

O Centro Cultural São Paulo leva na origem, na memória, na história e até no nome, o eixo curatorial Arte-Cidade-Cultura exposto aqui. Como centro cultural-cidade se constrói a cada instante, na prática artística - em cada apresentação, atividade, oficina, exposição, performance, show. Não só sua dinâmica artística e cultural o modifica, como aponta os desejos futuros, valorizando não apenas o convencional, o mercado, mas representando no cenário da cidade um espaço para experimentação artística, manifestando-se assim no que há por vir.

David Harvey (1), conforme relata Sérgio Eraso em Texto/Contexto, Tecido/Redes, comenta que "o tipo de cidade que queremos fazer tem a ver com o tipo de pessoas que queremos ser e com os valores que desejamos viver" (2).

 

Divisão de Ação Cultural e Educativa (DACE)

A Divisão de Ação Cultural e Educativa (DACE) foi criada como divisão para atuar de forma interdependente e paralela da Divisão de Curadoria e Programação (DCP). Este seu "status" igualitário com a curadoria permite que ela seja propositiva, esquivando-se, assim, da função de prestadora de serviço, berço ingrato para os programas de ação educativa nas instituições culturais.

Sem abrir mão de sua independência e autonomia, em 2011 nosso desejo é realizar de fato um trabalho integrado, criando vínculo com a programação e com as diretrizes institucionais, como o eixo curatorial, a interdisciplinaridade, a acessibilidade, a ativação dos acervos e o trabalho em rede, apostando numa linha de trabalho colaborativa em diversas linguagens artísticas.

Apresentamos assim uma série de proposições, levando em conta a premissa de a DACE, como Divisão, assumir um papel central na instituição. Essas mudanças se solidificam nas formas de atuação e posicionamentos da ação cultural e educativa, a saber:

a) a centralidade se concretiza ao encabeçar o eixo curatorial institucionalArte-Cidade-Cultura;

b) atua como mediador entre curadorias (no projeto Eixo Cruzado, ver abaixo) e entre a curadoria e seu público (visitas, espetáculos, sessões audiovisuais, concertos mediados). Entendemos aqui a mediação não apenas como ponte, mas como negociação nos diferentes planos;

c) atua de forma independente como propositora de projetos específicos e de programação, com a curadoria educativa;

d) atua de forma abrangente em todas as áreas, inclusive na intersecção entre as áreas (a interdisciplinaridade);

e) posiciona-se como agente ativo nas parcerias entre o CCSP e outras instituições;

f) conduz as oficinas gratuitas, a partir do edital de seleção promovido anualmente, e propostas de workshops pontuais, atendendo a uma demanda do mercado artístico e educacional e fomentando atividades de formação prática e teórica.

 

Dentre os projetos
Eixo Cruzado

O Eixo Cruzado é uma proposição de trabalho colaborativo entre as curadorias e o educativo. É fruto da implantação dos eixos curatoriais, potencializando, assim, temas e discussões convergentes e a interdisciplinaridade no Centro Cultural.

Neste sentido, o educativo, além de encabeçar o eixo Arte-Cidade-Cultura, opera no eixo cruzado como mediador que faz a ligação entre as propostas artísticas, como propositor de ações e atividades culturais e educativas para os diversos públicos e como provocador que instiga a curiosidade e a reflexão.

Iniciado em janeiro de 2011, está na sua quarta proposição, principiada pelo questionamento de O herói que queremos, seguida de Vila-cidade, Zona de Ris_o e Arte Latino-Americana. Em todas estas proposições, as discussões passam pelo indivíduo e pela cidade, pelo comportamento humano e pela influência da cidade na nossa produção artística e cultural.

 

Edital de Concurso Projetos de Mediação em Arte

Lançado de forma pioneira, o Edital de Concurso Projetos de Mediação em Arte tem o objetivo de abrir um espaço de experimentação para artistas-mediadores no CCSP. Serão contemplados até cinco projetos de arte e educação das várias linguagens artísticas a serem desenvolvidos ao longo do ano, no molde site-specific.

As propostas de mediação em arte são voltadas para os diferentes públicos e podem ser desenvolvidas em meios diversos, como plataformas virtuais ou audiovisuais, performances, suportes literários, instalações, intervenções, ações artísticas participativas, etc., a exemplo do Tatu-bola, mobiliário multifuncional itinerante, que é utilizado pela ação educativa nas visitas mediadas. Outro exemplo é o projeto Paradas Sonoras, alimentado pela curadoria de música, fazendo a ligação entre a programação e o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga e a extroversão de ambos, que pode ser acessada pelo público espontaneamente.

O Concurso pretende responder à crescente demanda no desenvolvimento de processos de mediação artístico-culturais. Visa a incentivar a formação de público na instituição, além de experimentar novos procedimentos e estimular debates no campo da cultura e educação, contribuindo para os estudos nesta área.

 

Centro Cultural, Seu Próprio (CC, SP)

O nome Centro Cultural, Seu Próprio surge no projeto desenvolvido pelo Coletivo Bruto durante o Zona de Risco, em 2010, que resultou em algumas intervenções nos espaços do CCSP. Segundo o grupo, "o objetivo era trabalhar interferindo nas dinâmicas próprias do Centro e mobilizar criticamente o modo de produção de subjetividades da megalópole". Partindo dessa ideia e extrapolando para outras propostas e significados, a Divisão de Ação Cultural e Educativa propõe aqui uma publicação mensal no formato de folheto e ações de mediação, agendadas ou casuais, explorando ligações, percepções e impressões pelo Centro Cultural. O desafio consiste em desenvolver materiais e propostas educativas instigando a experiência, sem nos voltarmos para os conteúdos de uma exposição, de um espetáculo ou dos nossos acervos. Com o projeto Centro Cultural, Seu Próprio desejamos tanger noções de identidade, reconhecimento e pertencimento a partir de um trabalho mais próximo com os públicos do CCSP. Apontamos então algumas perguntas iniciais: Quem sou eu? O que eu conheço do lugar que freqüento? Qual a minha relação com este espaço e com o que este espaço oferece? Estas perguntas se desenvolvem ao longo do projeto, seguindo para lugares imaginários ou de estranhamento. Como coloca Martin-Barbeiro (3): "as identidades/cidadanias modernas constroem-se na negociação do reconhecimento pelos outros". Nesta proposta queremos investigar, problematizar ou instigar a relação entre objeto (instituição) e sujeito (público).

 

Projeto Tatu-bola

A DACE dará continuidade ao projeto Tatu-bola, implantado em 2008, pelo então diretor Guilherme Teixeira (novembro de 2007 a abril de 2010), que envolve propostas educativas no formato de oficinas ou roteiros, com o auxílio do mobiliário itinerante apelidado de Tatu-bola. A série será ampliada para abranger outros públicos. Entre eles estão Tatu-escola, Tatu-família, Tatu-convocado (para funcionários de outras secretarias, que trabalham no atendimento ao público no CCSP) e Até tu, funcionário, promovendo práticas com diferentes configurações com o propósito de incentivar o gosto por atividades artísticas e culturais.

 

Das parcerias

Em 2011, a Curadoria de Dança e a Divisão de Ação Cultural e Educativa desenvolvem em parceria o projeto curatorial Semanas de Dança - Públicos, nos meses de maio e junho, que tem como foco ações de interação, participação, questionamento, sensibilização na linguagem da dança, voltadas para diferentes públicos. Questões relacionadas com a linguagem de música e a ação educativa também estão em pauta no CCSP, apontando para uma ação integrada de formação e difusão dessa prática artística. Dentre algumas das propostas previstas, destacam-se o Concerto didático, conduzido pelaOrquestra Experimental de Repertório, dirigida pelo Maestro Jamil Maluf, e as possíveis parcerias com o Instituto Baccarelli e o novo coral infantil criado pelo grupo Palavra Cantada. O Centro Cultural São Paulo também é agregador de diversas atividades em arte e educação realizadas com instituições parceiras, como SENAC, Kinoforum, CREAS, Virada Sustentável, FILE, Planetário, para citar algumas, que envolvem workshops, debates, saraus, palestras e, principalmente, outros formatos híbridos de atividades.

 

Arte-Cidade-Cultura

Como colaboração para pensarmos o trinômio Arte-Cidade-Cultura, o eixo curatorial, apontamos aqui três fontes de informação independentes com que nos deparamos nos últimos meses. A primeira, uma pesquisa quantitativa sobre hábitos culturais, mostra a relação cultura e população; a segunda, uma palestra sobre Economia criativa, ministrada por Lala Deheinzelin, mostra a importância da cultura e suas perspectivas futuras; e por fim um artigo no livro da Fundação da Bienal do Mercosul, que aponta a relação da arte e da cultura com a cidade.

Essas informações também são bastante relevantes quando se posiciona a ação educativa numa centralidade institucional do Centro Cultural São Paulo. Lança-nos perguntas a serem trabalhadas ao longo do eixo Arte-Cidade-Cultura, entre elas: Como mediação pode permear as diversas instâncias, ampliando a escuta e a interação na instituição? Ou ainda, a ação educativa de um centro cultural pode e/ou deve agir de forma significativa nos hábitos culturais e no estímulo às atividades culturais e artísticas? Por que este papel de agente formador tem importância no cenário da cidade de São Paulo?

1. A pesquisa Como investir em cultura (4), cujo objetivo consiste em mapear e conhecer os hábitos culturais em São Paulo, aponta que a cultura (5) é importante para os paulistanos de maneira geral e independe do nível econômico ou da formação educacional.

Contudo, mostra o papel fundamental da educação nos hábitos culturais da população e no gosto pelas atividades culturais e artísticas, desmistificando a ideia de falta de acesso, de restrições financeiras ou de pouco caso.

A pesquisa afirma que 68% gostam de realizar ou participar de atividades culturais. O índice é maior com o aumento da escolaridade. Houve também a constatação de que a escola é o local que mais proporciona contato com atividades culturais, porém os pais são os principais incentivadores no gosto pela cultura.

Outro dado importante aqui é que 84% dos entrevistados acham que a cidade deveria ter mais espaços para atividades culturais e, destes, 62% sentem necessidade de mais centros culturais, principalmente na capital.

2. Em palestra no CCSP (6), Lala Deheinzelin, artista e propositora do projeto Crie Futuros, coloca que o ecossistema socioambiental tem duas dimensões, o tangível e o intangível. O tangível - meio ambiente, o material - tem como destino a escassez e, consequentemente, a disputa. O intangível - na esfera sociocultural, a experiência humana, o processo educativo - não tem posse, tem desfrute, é abundante e movido por processos colaborativos. Nesse sentido, Deheinzelin aponta para a centralidade do intangível que, em apontamentos futuros, deve ser valorizado em detrimento da posse.

3. Sérgio Eraso em Texto/Contexto, Tecido/Redes discorre sobre a relação do homem com a cidade, adentrando no papel da cultura e da arte, em suas palavras: "A cultura e a arte, são, portanto, parte de um ecossistema econômico, social e político complexo e qualquer reflexão sobre seu futuro deve assumir que, tanto as práticas culturais institucionais, quanto as originadas nas dinâmicas independentes da sociedade civil devem ser inseridas em um conceito de cidade integradora, sustentável e solidária, capaz de tornar visíveis seu antagonismo." (7)

1,2,3. As colocações acima se completam à medida que revelam dados afirmativos acerca de arte e cultura, no cotidiano e futuro. Demonstram a cultura e os hábitos culturais sendo valorizados pela população, reconhecem a cultura e arte como vetor fundamental no sistema econômico, social e político, e revelam o trinômio Arte-Cidade-Cultura como uma rede colaborativa e integradora, que opera no nosso modo de atuar e viver.

Recapitulando a frase de Harvey citada no início deste texto - "sobre cidade que queremos fazer tem a ver com o tipo de pessoas que queremos ser e com os valores que desejamos viver" -, podemos afirmar que um centro cultural também é regido por essa dinâmica do espaço e do indivíduo.

Essas discussões fazem parte do projeto Eixo Cruzado em andamento desde o início de 2011, onde se pensa, por exemplo, no posicionamento do herói do cotidiano (8), ou como as cidades influenciam na produção artística e cultural (9), ou qual o papel do riso nas práticas artísticas (10). Ou seja, é indissociável, nesse eixo, a cidade do cidadão, o centro cultural dos seus públicos.

Para finalizar, entendo que a definição de Eraso sobre inovação e criatividade se expande para o nosso desejo na esfera da arte e da educação, como um norte, um catalisador, para as nossas práticas futuras, livres temporariamente das demandas institucionais presentes: "[inovação e criatividade são] tudo aquilo que abre uma possibilidade ao 'estranhamento' como espaço regenerador, como lugar para o inédito, para a invenção de todo tipo de processos de vida, para a modificação dos códigos e das linguagens impostos pelo costume e a rotina. (...) Enfim, propostas eficientes para o porvir, pensadas a partir da ética do futuro e não a partir da pulsão urgente do presente". (11)

 


 

(1) Professor emérito de Antropologia na City University of New York (CUNY) e autor de livros como a Condição da Pós-modernidade.

(2) ERASO, Santiago. Texto/Contexto. Tecidos/Redes. In Educação para a Arte / Arte para Educação. Porto Alegre: Fundação Bienal Mercosul, 2009, P.90.

(3) Martin-Barbeiro, J. Tecnicidades, identidades, alteridades: mudanças e opacidades da comunicação no novo século. In: Denis Moraes, org. Sociedade Midiatizada. Rio de Janeiro: Mauad, 2006. P. 66.

(4) Pesquisa realizada em 2010 pela J. Leiva Cultura e Esporte, Instituto Datafolha e Fundação GV, e apresentada em palestra no CCSP, no dia 17 de dezembro de 2010.

(5) A primeira pergunta espontânea e múltipla da pesquisa refere-se ao que o entrevistado entende por cultura, o resultado foi tabulado da seguinte forma: 30% Atividades culturais (teatro, música, livros, cinema, etc.); 22% Educação, aprendizado; 18% Lazer, entretenimento; 9% Identidade, história, tradição; 7% Conhecimento, saber; 6% Acesso, direito a cultura, lazer, educação; 5% Costumes, hábitos; 3% Conscientização sobre o meio ambiente; 3% Erudição; 3% Áreas de lazer, culturais.

(6) Palestra ministrada no dia 1º/3/2011 no CCSP para representantes de instituições culturais.

(7) ERASO, Santiago. Texto/Contexto. Tecidos/Redes. In Educação para a Arte/Arte para Educação. Porto Alegre: Fundação Bienal Mercosul, 2009. p. 92

(8) Eixo Cruzado O herói que queremos (janeiro de 2011)

(9) Tema do debate interdisciplinar Vila-Cidades, realizado no dia 26 de fevereiro de 2011 no CCSP, aberto ao público, com a participação de Cristiane Paoli Quito, Sérgio Vaz, Pedro Granato e Cia. Do Tijolo.

(10) Eixo Cruzado Zona de Ris_o (março e abril de 2011).

(11) ERASO, Santiago. Texto/Contexto. Tecidos/Redes. In Educação para a Arte/Arte para Educação. Porto Alegre: Fundação Bienal Mercosul, 2009. p. 93

 


 


Referências:

DEHEINZELIN, Lala. Economia Criativa e a reinvenção da economia reduzido. Inhttp://pt.scribd.com/doc/30928586/Economia-Criativa-e-a-re-invencao-da-economia-reduzido

ERASO, Santiago. Texto/Contexto. Tecidos/Redes. In Educação para a Arte/Arte para Educação. Porto Alegre: Fundação Bienal Mercosul, 2009.

HARVEY, David. A Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 1993

HALL, Stuart. A identidade Cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 1999

Martin-Barbeiro, J. Tecnicidades, identidades, alteridades: mudanças e opacidades da comunicação no novo século. In: Denis Moraes, org. Sociedade Midiatizada. Rio de Janeiro: Mauad, 2006.

Pesquisa Como investir em cultura. Autor: Paulo Felippe. Realização: J. Leiva Cultura e Esporte, Instituto Datafolha e Fundação GV. 2010

 
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