Ciclo de debates A obediência e a desobediência no espaço público

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Programação completa do ciclo de debates realizado de setembro a novembro de 2011

 

 

Ciclo de debates CC,SP 
A obediência e a desobediência no espaço público

 

Apresentação

Depois de diversas ações, desde o lançamento do projeto Centro Cultural, Seu Próprio no mês de maio de 2011, muitas foram as questões que surgiram dos encontros propostos pela Divisão de Ação Cultural e Educativa (DACE) entre artistas, filósofos, educadores, produtores culturais e o público do CCSP. Daí a necessidade de se organizar o Ciclo de Debates - Centro Cultural, Seu Próprio. Pensando em um tema que pudesse abarcar questões em torno da convivência e negociação de direitos, deveres e vontades no espaço público, chegou-se ao mote do ciclo A obediência e a desobediência no espaço público. Serão cinco encontros com formatos de conversa pública e debate, cujo objetivo central será o aprofundamento do pensamento sobre o espaço público, seus limites, seus desafios. O primeiro encontro será no dia 13 de setembro, abordando o tema Socialização e transgressão no espaço de convívio. O segundo será no dia 20 de setembro, com o tema Quando desobedecer é conhecer. As demais conversas acontecerão nos meses de outubro e novembro. Todos os encontros serão acompanhados pela professora-doutora Luiza Helena da Silva Christov, que produzirá um relato-ensaio de cada conversa para ser compartilhado pelo público no site do CCSP e em outros meios.

Atenção: Haverá interpretação em Libras em todos os encontros do Ciclo de Debates - Centro Cultural, Seu Próprio, exceto no debate do dia 25/10.


Veja também:

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Programação de setembro

dia 13/9 - terça

palestra de abertura

das 19h às 21h Socialização e transgressão no espaço de convívio
com: Julio Groppa Aquino (professor da Faculdade de Educação da USP)
Em entrevista à Agência Estado em 10 de abril de 2011, logo após o trágico evento do atirador que entrou na escola em Realengo no Rio de Janeiro e matou diversos alunos, Julio Groppa Aquino declarou: "Ensinamos intensamente as crianças e os jovens a se tornarem consumidores vorazes de determinados bens e serviços. Ora, a espetacularização da violência é, por incrível que pareça, um entre tantos bens culturais à disposição para consumo". A partir de tal análise e partindo do pressuposto que os temas da socialização e transgressão estão na ordem do dia nos diversos espaços públicos de convívio, convidamos o educador Julio para a abertura do ciclo.
Entrada franca - sem necessidade de inscrição, nem retirada de ingressos
Espaço Cênico Tarsila do Amaral (80 lugares)

Veja também:

Entrevista de Julio Groppa Aquino à Agência Estado: "Escola de segurança máxima?"

 

dia 20/9 - terça

das 19h às 21h Quando desobedecer é conhecer
com: Fátima Freire e Helena Abramo 
A educadora Fátima Freire e a socióloga Helena Abramo terão a pergunta "Quando desobedecer é conhecer?" como ponto de partida para discutir quais podem ser os espaços e circunstâncias em que não seguir as diretrizes estabelecidas torna-se potente para a construção do aprendizado; ou, ainda, em outras palavras, pensar se a não obediência pode ser um meio de abrir brechas para a produção autônoma do conhecimento.
Entrada franca - sem necessidade de inscrição, nem retirada de ingressos
Espaço Cênico Tarsila do Amaral (80 lugares)

 

 

Programação de outubro

dia 18/10 - terça

das 19h às 21h Sociabilidade e convívio na arte [algumas experiências do teatro]
com: Guilherme Bonfanti (Teatro da Vertigem), José Fernando (Teatro de Narradores) e Georgette Fadel (Cia. São Jorge de Variedades) - provocação: Mariana Fix (arquiteta)
A partir das provocações de Mariana Fix, representantes de importantes grupos teatrais paulistanos se propõem a relatar e problematizar experiências em que as questões do espaço público são trabalhadas a partir de uma perspectiva criativa. Os três grupos convidados realizam trabalhos em contato direto com espaços específicos na cidade: o Teatro da Vertigem concentra sua pesquisa atualmente na história e nas histórias do bairro do Bom Retiro; o Teatro de Narradores realiza suas criações em diálogo com os moradores do bairro do Bixiga, sua memória e seu cotidiano; e a Cia. São Jorge de Variedades, a partir de sua sede aberta em 2009, conversa com os espaços e as pessoas da Barra Funda.
Entrada franca - sem necessidade de inscrição, nem retirada de ingressos
Piso Caio Graco - Espaço Cênico Tarsila do Amaral (80 lugares)

 

 

dia 25/10 - terça

das 19h às 21h O medo e a mídia: influências dos meios de comunicação nas invenções da insegurança pública
com: Andréa Dias (psicóloga) e Natália Viana (jornalista e fundadora da Agência PÚBLICA) 
A sensação de insegurança ou a ideia de perigo associada aos espaços públicos é uma constante, sobretudo nas grandes cidades, mas tal associação não pode ser tomada como natural. Esta conversa propõe à jornalista Natália Viana e à psicóloga Andréia Dias estranhar este processo e buscar distinguir o que na insegurança pública é real e o que é construído; e, a partir disso, avaliar a contribuição e responsabilidade da mídia no processo de criação de uma relação tensa e insegura das pessoas com o espaço público.
Entrada franca - sem necessidade de inscrição, nem retirada de ingressos
Piso Caio Graco - Espaço Cênico Tarsila do Amaral (80 lugares)

 

 

Programação de novembro

dia 26/11 - sábado

das 18h às 21h Invenções de convívio na cidade
com: Raquel Rolnik (professora da FAU/USP), Carla Caffé (artista) e Carolina Tokuyo Rodrigues (participante do Movimento Fora do Eixo) - provocação: Leslie Loreto (arquiteta e urbanista)
As diferentes perspectivas das participantes deste debate serão misturadas para compor um painel de experiências concretas de apropriação do espaço público urbano, que resultam em sua reconfiguração e atribuem a ele novos significados. Entre os possíveis caminhos da conversa está a tentativa de compreender de que maneira a interferência nos espaços tende a romper com (desobedecer) determinadas estruturas e fundar outras, criando também, possivelmente, maneiras inéditas de olhar para o real. 
Entrada franca - sem necessidade de inscrição, nem retirada de ingressos
Praça das Bibliotecas

Reflexões

As perguntas

Compondo o projeto Centro Cultural, Seu Próprio, surgiu o Ciclo de Debates - A obediência e desobediência no espaço público. Lembremos que a palavra debate provém do latim debattere (de debattuere, que significa bater, lutar). Seus possíveis sinônimos são as palavras controvérsia, discussão, polêmica, luta. Um espaço de convívio é sempre um espaço de negociações de sentido, de limites e de regras para que seja possível a fundação de um lugar de estar, um lugar de criação ou, dito de outro modo, um lugar em que a "luta" ganha significado de sentir-se vivo no embate da própria existência.

A temática do ciclo de debates foi se constituindo a partir das ações desenvolvidas desde o mês de maio por diversos artistas e educadores em diálogo com o público e a programação do CCSP e a partir das "programações" dos próprios frequentadores do centro, como as dos estudantes que ocupam o espaço para ler e se reunir com outros jovens; como as dos jogadores de xadrez, com suas práticas diárias e seus campeonatos; como as dos dançarinos de hip hop, que elegem o chão do CCSP como "o melhor chão de São Paulo para dar o spinning de cabeça"; e como as de tantos outros que, à deriva, fazem do CCSP um espaço vivo e dinâmico.

Ao longo deste tempo as ações do projeto trouxeram para a DACE o desafio de abrir espaços para o aprofundamento de discussões que questionam os diversos convívios no espaço público. Quiçá um espaço análogo a uma Àgora na acepção dos gregos, cuja função era a de construir e refletir continuamente a Polis. Como nos lembra Hanna Arendt citando Aristóteles: "A pólis é uma comunidade de iguais visando a uma vida que é potencialmente a melhor. (...) a diferença essencial entre uma comunidade política (a pólis) e uma casa privada (a oikía) está em constituir a última uma 'monarquia', o governo de um único homem, enquanto a pólis, ao contrário, é composta de muitos governantes".1 Foi assim que se firmou o compromisso de se criar o debate em torno da questão dialética: "obediência e desobediência". Chamando o espaço público a olhar-se como uma casa pública que tem o compromisso de se abrir ao diálogo constante com aqueles que a ocupam.


Um possível caminho para conversar com as urgências

Para iniciar o ciclo no dia 13 de setembro teremos uma fala de abertura em torno do tema Socialização e transgressão no espaço de convívio, com o professor, pós-doutor em educação e docente na Faculdade de Educação da uSP Júlio Groppa Aquino. No dia 20 de setembro, o ciclo terá a educadora Fátima Freire e a socióloga Helena Abramo para debaterem a questão Quando desobedecer é conhecer? no dia 18 de outubro, o tema proposto é o da Sociabilidade e convívio na arte e será abordado a partir de experiências de coletivos de teatro. Convidamos para essa conversa José Fernando (Teatro de Narradores), Guilherme Bonfanti (Teatro da Vertigem) e Georgete Fadel (Cia. São Jorge de Variedades), que irão debater a temática provocados por Mariana Fix. Já no dia 25 de outubro o tema será O medo e a mídia: influências dos meios de comunicação nas invenções da insegurança pública e as debatedoras serão a jornalista Natália Viana, criadora da agência PÚBLICA e a psicóloga Andréa Dias.
O ciclo encerra-se no dia 26 de novembro com o tema Invenções de convívio na cidade. Neste encontro serão debatidas experiências de convívio e conceitos de urbanidade com a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, a artista Carla Caffé e com Carolina Tokuyo Rodrigues, integrante do Movimento Fora do Eixo, que reúne pessoas vindas de várias partes do Brasil em uma casa sediada na cidade de São Paulo, construindo novas formas de convivência. Para mediar e instigar a última discussão, convidamos a arquiteta e urbanista Leslie Loreto.
Os encontros serão acompanhados pela professora doutora Luiza Helena da Silva Christov (unESP), que produzirá um relato/experiência a partir de cada conversa para ser compartilhado com o público pelo site do CCSP e por desdobramentos em outras ações do projeto Centro Cultural, Seu Próprio.

O desejo (ou um outro nome para nomear o que costumamos chamar de objetivo)

Não pretendemos com este ciclo esgotar as questões postas, tampouco temos a ideia de que tais discussões possam harmonizar a convivência no espaço público. Para além de tais pretensões, o que se ambiciona com o Ciclo de Debates aqui apresentado é abrir uma clareira no árido cotidiano de uma cidade como São Paulo para o debate de questões públicas que, em nosso entender, são urgentes para a reflexão de fundamentos de práticas políticas, sociais e culturais de todos nós.


Giuliano Tierno de Siqueira

Curador Educativo da Divisão de Ação Cultural e Educativa do CCCP


1 ARISTÓTELES. In: AREnDT, Hanna. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Editora Perspectiva, 2007. p.p. 157-158

 

 

 

 
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